
Não estranhe se você, andando na rua, encontrar várias meninas usando mini-saia, bota cano-longo, camiseta branca e gravata. É o fenômeno da novela Rebelde que vem invadindo lojas, praças de alimentação, ruas e escolas.
A história acontece na “Elite Way School”, um colégio particular de prestígio internacional, onde adolescentes de classe alta recebem um elevado nível de educação e são preparados para um grande futuro. Até aí, uma história normal, não fosse o fato de os personagens valorizarem excessivamente os bens materiais e o jeito rebelde e independente de levar a vida. No ar pelo SBT há pouco mais de um ano, a série tem influenciado adolescentes e crianças em seus hábitos, costumes e consumo.
Inicialmente, o público-alvo da novela deveria ser apenas adolescentes e jovens, uma vez que seu conteúdo muitas vezes pode ser inadequado para crianças que ainda não dispõem de uma certa maturidade. Entretanto, é comum ver que o público mais atingido é realmente o infantil. Os pais, que deveriam ser um filtro das informações dispostas na mídia, na maioria das vezes estão muito envolvidos com os problemas pertinentes ao trabalho ou aos cuidados domésticos. Sendo assim, acabam vendo a televisão como um recurso para garantir sua tranqüilidade, já que seus filhos passam a maior parte do tempo entretidos com o que é oferecido pelos programas televisivos. Concentrados em seu trabalho, muitos pais despreocupam-se e não se lembram de acompanhar o que os filhos estão vendo. Porém, com o passar do tempo serão eles, os primeiros a sofrerem com os reflexos causados pela influência da televisão na vida e no comportamento de seus filhos.
Para a musicoterapeuta Djaldéa Fernandes, os pais têm responsabilidade sobre o comportamento dos filhos. “Os efeitos mais visíveis são um ceticismo exagerado em todas as relações e uma grande dificuldade dos pais em assumirem a responsabilidade por não dar limites aos seus filhos e dos filhos entenderem que receberem ‘casa e comida’ pressupõe cuidados que envolvem amor e controle”, afirma.
Os efeitos causados por esse tipo de programa são os mais variados: crianças que respondem aos pais, adolescentes cada vez mais cedo buscando sua independência, infelicidade com os bens materiais que possui ao ver algo melhor na mídia, perda de auto-estima ao comparar-se com atores e atrizes que exibem um padrão de beleza perfeito e tantos outros distúrbios que podem afetar crianças e adolescentes em suas fases de transição.
A comerciante Tânia Cristina Távora conta que tem um sobrinho de nove anos “viciado” na novela Rebelde. Os pais não acompanham o programa junto com o filho porque no horário em que é exibido estão no trabalho. “Ele tenta imitar um dos personagens, bota o cabelo pra cima, quer mudar a cor, cada hora de uma maneira. Está respondendo aos avós, aos pais. Coisa que ele nunca fez! Está rebelde demais. Meu irmão tem até sido chamado no colégio, coisa que nunca aconteceu”, ressalta.
Por outro lado, a adolescente Raíla Miranda de 14 anos, afirma que a moda lançada pela novela rebelde não lhe chama a atenção. Mesmo assim, admite gostar do jeito independente dos personagens. “Algumas coisas que eles usam eu não gosto nem usaria igual, mas por serem mexicanos, por serem tão independentes a novela me prende na frente da televisão”, garante.
Em casos como esses, família, escola e profissionais devem cumprir o papel de multiplicadores de informação e senso crítico com responsabilidade, contribuindo na boa formação de crianças e adolescentes, assegurando um futuro mais consciente e questionando essas culturas “fast-food” – que nos satisfazem por um tempo, mas logo já estamos buscando algo novo – atualmente tão disseminadas pela mídia, mas que pouco tem a acrescentar no intelecto social.
