quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Pimenta a gosto

Por Alana Felix e Poliana Bezerra

Cortinas vermelhas, cheiro adocicado e ambiente sugestivo. Loja nem um pouco convencional. Uma sex shop pronta para oferecer os mais inusitados acessórios aos clientes, aparentemente mais normais, que desejam explorar a sexualidade e as fantasias.

Andréia Braga Gorini, sócia e proprietária da loja Amor & Sexo, em Vila Velha, conta que 70% do público do estabelecimento é feminino. Desses, 50% são mulheres casadas que procuram formas de quebrar a monotonia da vida a dois.

Mas não é sempre que isso acontece. Algumas vezes, uma terceira pessoa pode estar envolvida, sendo do conhecimento de ambos, ou não. “Quase sempre temos clientes que procuram a loja para comprar presentes para seus parceiros ou mesmo para um amante. Já tivemos situações em que casais queriam esses“ presentinhos” para um ménage à trois.”, ou seja, uma relação a três.

Dentro desse mundo de fetiches, existem produtos que ganham um certo destaque entre os consumidores. Lingeries, pomadas, óleos que dão diferentes sensações e vibradores são os mais procurados. A consumidora Kika Oliveira utiliza os atrativos da sex shop como incrementos para o sexo. “Todos esses acessórios deixam a relação mais divertida e se o parceiro estiver aberto a novas possibilidades, melhor ainda”.

Esse ramo de comércio nem sempre foi bem aceito pela sociedade. Andréia, que tem a loja desde de 1998, acredita que muito do preconceito foi quebrado. “Hoje já não vejo mais problema em falar que sou dona de uma sex shop. Mas há alguns anos atrás isso não era muito normal”.

Então, se você ficou curioso, vá a uma sex shop, “abra suas asas, solte suas feras (...) e leve com você seus sonhos mais loucos”.

domingo, 26 de agosto de 2007

A simplicidade de uma brincadeira de criança virou arte no olhar de Jean Mariano. O técnico do Núcleo Integrado de Comunicação da UVV e estudante do curso de Comunicação Empresarial e Eventos conquistou o primeiro lugar no V Concurso Nacional de Fotografia, promovido pela Secretaria Nacional Antidrogas. Concorrendo com 1.057 candidatos de todo o Brasil, Mariano buscou inspiração em meninos que brincavam na rua onde mora.

“No momento em que vi o cartaz do concurso já imaginei qual seria minha foto. Quis fazer uma relação social da criança simples que, sem condições para comprar bolinhas de gude, brinca com o que tem em mãos: tampinhas de garrafas pet”, explica.

Mariano, que sempre trabalhou com audiovisual, começou a se interessar por fotografia após a morte de um grande companheiro de trabalho, Márcio Ribeiro, fotógrafo profissional. Apoiado pela professora de Fotografia da UVV, Elizabeth Nader, Mariano se inscreveu no Desafio Fotográfico da UVV e conquistou o sétimo lugar. Foi o ponto de partida.

“Eu sempre gostei de atividades que envolvessem a comunicação. Após a morte do Márcio, fiquei muito mal. A professora Elizabeth me incentivou, mas eu não tinha nenhuma técnica em fotografia. Foi quando eu descobri que sabia fotografar. Ganhar o primeiro lugar desse concurso foi uma realização profissional”, conta Mariano.

O vencedor do concurso, que confessa sentir vontade de seguir com a fotografia paralelamente a outros projetos como a produção de curtas-metragem, receberá a premiação em uma cerimônia que contará com a presença do presidente Lula, no dia 25 de junho, no Palácio do Planalto, em Brasília.

Foto: Jean Mariano

Matéria um pouco mais antiga também...

CAMPUS: Novidades no Trote da Cidadania 2007/2

Todo começo de semestre é assim: a descoberta do novo mundo universitário e a espera pelo temido trote. Porém, na UVV, o calouro não precisa mais ficar aflito. Desde 2001 a instituição aderiu ao Trote da Cidadania, uma iniciativa desenvolvida para despertar nos alunos a solidariedade e a confraternização.

Casos lamentáveis como a história do calouro do curso de Medicina da USP, Edson Tsung Chi Hsueh, encontrado morto em uma piscina após o churrasco de "confraternização" com os veteranos, trouxeram a tona um questionamento quanto à forma de realização dos trotes. No final da década de 1990, a Fundação Educar tomou iniciativa e lançou o 1º Concurso Trote da Cidadania, que tinha como objetivo premiar as instituições paulistas que promovessem a melhor recepção com ações sociais. Esse projeto ganhou margens nacionais, hoje muitas faculdades e universidades fazem desse, a melhor forma de dar boas vindas aos calouros.

Em sua 14ª edição, realizada nos dias 15, 16 e 17 de agosto, o Trote da Cidadania voltou a tratar de um tema que está em alta, o meio ambiente. A Assessora de Comunicação Institucional da UVV, Simone Patrocínio, explica que o objetivo foi conscientizar os calouros sobre as pequenas ações que podem ser adotadas para ajudar o ambiente, ligando sempre a sociedade acadêmica e a comunidade. “A comissão organizadora do trote sempre pensa em ações que permitam integrar as comunidades acadêmica e civil. A exemplo de outras edições quando realizamos oficinas de moda, recreação com crianças de escolas públicas e plantio de mudas em escolas públicas do entorno da UVV”.

Neste semestre, novidades como as oficinas de reciclagem e plantio de mudas dentro da UVV foram inseridas no calendário de atividades do trote. “A oficina de reciclagem foi uma parceria entre a orquestra de garrafas e o Trote, já a oficina de plantio de mudas foi em parceria com a empresa que cuida dos jardins da UVV. Nosso objetivo era, além de aproximar o calouro da natureza, fazer com que ele acompanhe o crescimento das árvores que plantou e veja como é fácil e simples contribuir para a preservação do meio ambiente”, conta Simone.

O Trote da Cidadania, além de ajudar instituições carentes de Vila Velha com a doação de leite, por exemplo, contribui para a formação social do aluno, que passa a se interessar por atividades voluntárias e projetos de extensão, realizados na comunidade do bairro Boa Vista, promovidos pela faculdade. A doação é extremamente importante para os abrigos e para as creches que a recebem. O saldo ao final de cada trote tem sido positivo.

sábado, 25 de agosto de 2007

COMPORTAMENTO: Consumo, logo existo!


Diga-me quais marcas você consome e eu direi quem você é. Essa é a realidade. No Brasil e em grande parte do mundo, consumir marcas famosas é sinônimo de status social no grupo ou na comunidade. Em uma sociedade na qual é praticamente impossível conhecer realmente as pessoas, as marcas utilizadas são pontos de ligação, um alento no reconhecimento do indivíduo que tem os mesmos hábitos e gostos que você.

O professor do curso de Comunicação Social Gladson Dalmonech, que dedica seu trabalho ao estudo de peças publicitárias, garante que as pessoas são seduzidas a todo momento. “O ser humano é ávido para ser tentado. Ser notado é o principal objetivo e conseguir um diferencial é importante para sentir-se aceito em um grupo social. O sucesso que você vai ter está diretamente ligado às marcas que você consome”, explica.

Espelhadas na televisão ou em anúncios de revista, tudo o que as pessoas querem é parecer com aquelas do comercial. Para isso, é preciso comprar os produtos oferecidos. Consumidas aos poucos, cada marca constrói a imagem da mulher ou do homem perfeito, realizado, vencedor.

“As marcas não vendem mais os produtos, elas vendem o desejo, o ideal. A mídia sobrevive disso, esse é um reflexo do capitalismo. A mudança desse comportamento não acontecerá na mídia, o consumidor é o agente de transformação”, justifica Dalmonech.

Hoje, é comum medir o grau de cidadania pelo poder de compra do individuo. A relação ente status social e marcas consumidas não é um assunto tão recente ou discutido apenas por publicitários sociólogos ou antropólogos. A indignação que causa tal comportamento já inquietava Carlos Drummond de Andrade em uma atualíssima poesia ‘Eu, etiqueta’:

E fazem de mim homem-anúncio,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade.

Imagem: Andy Warhol


quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Imprensa capixaba acompanhará atletas do estado no Pan 2007

Os jogos Pan Americanos estão bem perto. E não é só da data que estamos falando. Esse ano, os jogos acontecerão na cidade do Rio de Janeiro e a proximidade da imprensa nacional dará destaque às modalidades e aos competidores brasileiros.

No Espírito Santo, as equipes jornalísticas já se mobilizam para não deixar falhas na publicação de matérias sobre os Jogos. O editor de esportes do jornal Notícia Agora, Weber Caldas, garante que o jornal dará espaço às competições do Pan e explica qual o critério utilizado na escolha das modalidades que ganharão espaço no jornal.

“Nós escolhemos as matérias de acordo com os esportes que já são conhecidos e aqueles que têm alguma personalidade jogando”, diz Caldas. De acordo com o editor, estes esportes são, por exemplo: vôlei de praia e de quadra, judô e ginástica rítmica.

Entretanto, a presença de jornalistas capixabas nos locais de competição deve ser pequena. A maior parte das notícias será enviada por agências, que vendem as informações apuradas durante os jogos. “A nossa equipe na editoria de esporte é formada por mim, dois editores adjuntos e um repórter que, eventualmente, irá ao Rio. Não temos repórteres suficientes para cobrir os jogos diretamente do Rio, por isso não teremos uma presença marcante no local”, justifica Caldas.

O oposto acontecerá quando, nos jogos, tiver algum atleta capixaba. É o caso da natação e da ginástica rítmica. Caldas afirmou que, na cobertura das competições da nadadora Daiene Marçal e da equipe de ginástica que é coordenada pela capixaba Monika Queiroz e representada por atletas também do estado, os textos jornalísticos serão regionalizados, as coberturas serão especiais e um repórter será enviado ao Rio de Janeiro para acompanhar de perto os jogos.

Por Alana Fernandes e Poliana Bezerra (eu!). Essa matéria foi feita antes do Pan, mas só agora estou publicando aqui!

segunda-feira, 4 de junho de 2007

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Matéria de comportamento: Rebelde sim! Mas até que ponto?


Não estranhe se você, andando na rua, encontrar várias meninas usando mini-saia, bota cano-longo, camiseta branca e gravata. É o fenômeno da novela Rebelde que vem invadindo lojas, praças de alimentação, ruas e escolas.

A história acontece na “Elite Way School”, um colégio particular de prestígio internacional, onde adolescentes de classe alta recebem um elevado nível de educação e são preparados para um grande futuro. Até aí, uma história normal, não fosse o fato de os personagens valorizarem excessivamente os bens materiais e o jeito rebelde e independente de levar a vida. No ar pelo SBT há pouco mais de um ano, a série tem influenciado adolescentes e crianças em seus hábitos, costumes e consumo.

Inicialmente, o público-alvo da novela deveria ser apenas adolescentes e jovens, uma vez que seu conteúdo muitas vezes pode ser inadequado para crianças que ainda não dispõem de uma certa maturidade. Entretanto, é comum ver que o público mais atingido é realmente o infantil. Os pais, que deveriam ser um filtro das informações dispostas na mídia, na maioria das vezes estão muito envolvidos com os problemas pertinentes ao trabalho ou aos cuidados domésticos. Sendo assim, acabam vendo a televisão como um recurso para garantir sua tranqüilidade, já que seus filhos passam a maior parte do tempo entretidos com o que é oferecido pelos programas televisivos. Concentrados em seu trabalho, muitos pais despreocupam-se e não se lembram de acompanhar o que os filhos estão vendo. Porém, com o passar do tempo serão eles, os primeiros a sofrerem com os reflexos causados pela influência da televisão na vida e no comportamento de seus filhos.

Para a musicoterapeuta Djaldéa Fernandes, os pais têm responsabilidade sobre o comportamento dos filhos. “Os efeitos mais visíveis são um ceticismo exagerado em todas as relações e uma grande dificuldade dos pais em assumirem a responsabilidade por não dar limites aos seus filhos e dos filhos entenderem que receberem ‘casa e comida’ pressupõe cuidados que envolvem amor e controle”, afirma.

Os efeitos causados por esse tipo de programa são os mais variados: crianças que respondem aos pais, adolescentes cada vez mais cedo buscando sua independência, infelicidade com os bens materiais que possui ao ver algo melhor na mídia, perda de auto-estima ao comparar-se com atores e atrizes que exibem um padrão de beleza perfeito e tantos outros distúrbios que podem afetar crianças e adolescentes em suas fases de transição.

A comerciante Tânia Cristina Távora conta que tem um sobrinho de nove anos “viciado” na novela Rebelde. Os pais não acompanham o programa junto com o filho porque no horário em que é exibido estão no trabalho. “Ele tenta imitar um dos personagens, bota o cabelo pra cima, quer mudar a cor, cada hora de uma maneira. Está respondendo aos avós, aos pais. Coisa que ele nunca fez! Está rebelde demais. Meu irmão tem até sido chamado no colégio, coisa que nunca aconteceu”, ressalta.

Por outro lado, a adolescente Raíla Miranda de 14 anos, afirma que a moda lançada pela novela rebelde não lhe chama a atenção. Mesmo assim, admite gostar do jeito independente dos personagens. “Algumas coisas que eles usam eu não gosto nem usaria igual, mas por serem mexicanos, por serem tão independentes a novela me prende na frente da televisão”, garante.

Em casos como esses, família, escola e profissionais devem cumprir o papel de multiplicadores de informação e senso crítico com responsabilidade, contribuindo na boa formação de crianças e adolescentes, assegurando um futuro mais consciente e questionando essas culturas “fast-food” – que nos satisfazem por um tempo, mas logo já estamos buscando algo novo – atualmente tão disseminadas pela mídia, mas que pouco tem a acrescentar no intelecto social.